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Comprei na planta e a obra parou: o que o adquirente pode fazer

Você pagou, a obra parou e ninguém explica nada. Ainda existe caminho, e ele começa com os adquirentes organizados. Entenda o que a Lei nº 4.591/1964 prevê, por que o registro da incorporação define a rota e quem pode concluir a obra.

Em vídeo · 3 min

Comprei na planta — e agora?

Por que esperar custa caro

Quem comprou na planta é quem tem menos informação e mais risco na mesa. Sozinho, cada adquirente tem só o seu contrato. E o tempo joga contra:

Obra sem previsãoo incorporador não retoma e o cronograma deixa de existir
Dinheiro fora da obrarecursos dos adquirentes usados fora do empreendimento
Terreno em riscocredores ou o dono do terreno executam garantias e retomam o imóvel
Ações individuaislentas, caras e raramente devolvem o que foi pago
Sem poder de negociaçãoisolado, o adquirente não negocia em igualdade com credor ou banco
A lista que ninguém tema relação de compradores costuma estar só com a incorporadora

Cada mês parado custa mais para quem comprou. Organizados, os adquirentes passam a ter voz, quórum e poder de negociação.

O primeiro passo: organizar o grupo

A organização tem três peças: a associação dos adquirentes, que é o veículo de representação, com autorização expressa dos associados; a assembleia, onde as decisões são tomadas; e a comissão de representantes, que a Lei nº 4.591/1964 prevê no art. 50, composta de pelo menos três membros escolhidos entre os adquirentes, para representá-los perante o construtor ou o incorporador.

O trabalho mais pesado costuma ser localizar quem comprou. A lei obriga o incorporador a encaminhar à comissão de representantes, quando solicitada, a relação dos adquirentes com os seus endereços (art. 43, I, “b”). O pedido é feito formalmente; silêncio ou recusa são registrados, e a busca segue por fontes próprias, com prova de cada tentativa. Só a fase de organização costuma levar cerca de três meses.

A primeira pergunta: a incorporação está registrada?

É o que separa os dois caminhos. Pelo art. 32 da lei, o incorporador só pode alienar ou onerar as frações ideais correspondentes às futuras unidades depois de registrar o memorial de incorporação no registro de imóveis. Conferir a matrícula é o primeiro ato, porque define tudo o que vem depois.

Com registro: a lei já entrega a via

  1. Organizar a associação e eleger a comissão de representantes em assembleia.
  2. Levantar quem comprou, com pedido formal da relação de adquirentes e busca ativa.
  3. Notificação judicial. Se o incorporador, sem justa causa, paralisar a obra por mais de 30 dias, o juiz pode notificá-lo para retomá-la em no mínimo 30 dias (art. 43, VI).
  4. Destituição. Desatendida a notificação, o incorporador pode ser destituído pela maioria absoluta dos votos dos adquirentes (art. 43, VI). A ata dessa assembleia, registrada no registro de títulos e documentos, serve para averbar a destituição na matrícula (art. 43, § 3º).
  5. Assumir e retomar. A assembleia institui o condomínio da construção e delibera sobre a continuação da obra (art. 31-F, §§ 1º e 2º).

Sem registro: uma ponte judicial antes

Quem vendeu sem registrar não pode se beneficiar da própria omissão. A lei define o incorporador pela atividade, ou seja, por quem promove a construção e vende as unidades (arts. 28 e 29), e estende essa condição ao proprietário do terreno em certas hipóteses (art. 30). Duas frentes correm em paralelo: montar o acervo de prova dos adquirentes (contratos, comprovantes, publicidade, plantas) e, junto com a notificação para retomar a obra, buscar a medida judicial que dá o efeito registral que falta. Reconhecida a incorporação, segue-se o mesmo rito do caminho direto.

Antes de litigar, negociar

O processo judicial é ferramenta, não objetivo. A pressão precisa ser tecnicamente correta para virar acordo, e é a organização dos adquirentes que dá peso a ela. A conversa envolve todos os lados que podem destravar o empreendimento:

Quem conclui a obra

Antes de propor qualquer caminho, o número: auditoria financeira do que entrou e saiu, perícia dos contratos e pagamentos de cada adquirente, engenharia (percentual construído e custo para concluir), avaliação de mercado das unidades e viabilidade dos cenários. Com isso, a assembleia decide qual caminho devolve mais aos adquirentes:

O grupo concluicondomínio da construção, com pelo menos três propostas de construtoras e medição de obra
Nova incorporadoraassume nas condições aprovadas pela assembleia, com contrapartidas por escrito
A Brava incorporaquando faz sentido, com remuneração explícita e livro aberto
Menor prejuízose concluir não fecha a conta: venda estruturada, liquidação do patrimônio de afetação, devolução de valores

Como a Brava faz e o que os adquirentes perguntam

Nenhuma decisão estruturante acontece sem aprovação dos adquirentes. O processo passa por quatro fases: organização, diagnóstico, deliberação da assembleia e execução até as chaves (negociação, gestão da obra, rateios, habite-se, escrituras e instituição do condomínio). A Brava coordena a frente econômica, técnica e de negociação; as medidas judiciais ficam com escritório especializado em direito imobiliário, e toda minuta passa pela revisão do advogado.

Todos os compradores precisam participar? Não para começar. A maioria absoluta só é exigida para destituir o incorporador, e o que se exige é demonstrar que tudo o razoavelmente possível foi feito para localizar os demais.

O que acontece com o que eu já paguei? Depende do diagnóstico. Em regra o contrato segue válido, e o patrimônio de afetação, quando existe, separa o empreendimento das dívidas da incorporadora.

Quanto tempo leva e quanto custa? Os prazos da lei são conhecidos; o tempo do Judiciário não é, e nenhum prazo ou resultado é garantido. Os custos são rateados entre os associados e aprovados em assembleia, com a remuneração explícita na proposta.

Organizar cedo é o que preserva as alternativas. Quanto mais tempo passa, menos opções sobram, e as que sobram custam mais caro.

Conheça o produto

Comprei na plantaOrganização dos adquirentes, diagnóstico e retomada do empreendimento, com a assembleia no comando.

Jair Lemes, CFA
Diretor de Gestão e CEO da Brava Capital, apresentador do quadro Capital Inteligente e Professor de Finanças na CFA Society Brasil. Jair é administrador com MBA pela FIA/USP e Mestrado Profissionalizante em Gestão e Economia pela (ESA) IAE Université Pierre Mendès da França. Iniciou sua carreira em seguros na empresa espanhola Mapfre. Trabalhou em países como Japão e Reino Unido no setor de telecomunicações e tecnologia. Trabalhou no Citibank nas áreas Operacional e de Produtos enquanto ao mesmo tempo lecionava em universidade.

Material educacional — serviços de estruturação e assessoria, em regime de melhores esforços (obrigação de meios), sem garantia de resultado ou de prazo. A Brava Capital não é instituição financeira nem escritório de advocacia e não concede crédito com recursos próprios. Este conteúdo não constitui parecer jurídico, oferta pública de valores mobiliários, oferta de crédito nem recomendação de investimento. As medidas judiciais e extrajudiciais ficam com escritório especializado constituído pelo grupo; cada caso exige análise da matrícula e dos contratos. Sem proposta antes do diagnóstico. Fontes: Lei nº 4.591/1964, arts. 28, 29, 30, 31-F, 32, 43 e 50 (texto compilado, planalto.gov.br).

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