Guia Brava · Fundos

Estruturação de fundos de investimento: como uma tese vira um fundo regular

Ter um lastro, uma tese ou um grupo de investidores não é ter um fundo. Entenda o que faz o estruturador, como se escolhe o veículo, quais peças compõem a estrutura e quais cuidados o projeto exige.

Em vídeo · 3 min

Estruturação de Fundos

O que é estruturar um fundo

Uma boa ideia de investimento só vira fundo quando ganha forma jurídica e regulatória. Para existir como veículo regular, que capta, investe e presta contas dentro da norma, o fundo precisa ser desenhado e montado do zero. Esse trabalho é a estruturação.

Na prática, estruturar significa escrever o regulamento e a política de investimento, definir as regras das cotas, fazer o enquadramento na regulação da CVM (hoje, a Resolução CVM nº 175 e seus anexos) e reunir os prestadores de serviço, para que o fundo nasça regular e pronto para operar. O ponto de partida é sempre a tese: o estruturador traduz o objetivo do cliente em um veículo, e não o contrário.

Do ativo ao veículo: qual fundo para qual tese

O tipo de fundo segue o ativo e o objetivo. Os veículos mais usados em estruturação têm vocações bem distintas:

FIDCrecebíveis e crédito: transforma uma carteira de direitos creditórios em funding estruturado e recorrente
FIPparticipação em empresas: M&A, governança formal, sucessão e organização patrimonial
FIIimóveis e recebíveis imobiliários, conforme a tese e o público-alvo
Cross-borderveículos onshore e offshore para capital internacional, inclusive em USD

Além desses, uma gestora pode desenhar outros veículos conforme a tese, como fundos multimercados e estruturas offshore. A escolha final cruza o objetivo com o público-alvo, a tributação e a governança desejada, e depende da análise completa da operação e do enquadramento regulatório.

Um exemplo de como o veículo carrega regras próprias: o FIP é destinado a investidores qualificados, em regime fechado, e deve manter ao menos 90% do patrimônio nos ativos previstos na regulação. Já no FIDC o público-alvo depende da estrutura e do enquadramento. Em todos os casos, quem pode investir é definido no regulamento e na regulação da CVM e da ANBIMA.

A arquitetura: cotas, subordinação, garantias e prestadores

Definido o veículo, vem a arquitetura financeira e de risco. O estruturador desenha:

Em seguida, o estruturador orquestra os prestadores que a norma exige. Cada um tem papel próprio:

Por fim, o fundo é constituído e registrado na CVM e na ANBIMA, conforme a categoria.

Tributação: o enquadramento faz diferença

A Lei nº 14.754/2023 introduziu a tributação periódica (o “come-cotas”) para fundos fechados. FIPs e FIDCs enquadrados como entidades de investimento (gestão profissional com poder discricionário, na forma da Resolução CMN nº 5.111/2023) permanecem fora da tributação periódica, com imposto de renda retido na fonte de 15% apenas na distribuição, na amortização ou no resgate. Fora desse enquadramento, aplicam-se as regras gerais.

O enquadramento e os efeitos tributários dependem da estrutura e devem ser avaliados caso a caso, conforme a legislação vigente.

Por isso a tributação entra no desenho desde o início, junto com o público-alvo e a governança, e não depois que o fundo está pronto.

Para quem faz sentido, e os cuidados

Estruturação é para quem tem o ativo ou a tese e quer institucionalizá-los num veículo regulado:

Dois cuidados. Primeiro: estruturar um fundo é um projeto regulatório, não promessa de retorno. Há prazos e custos de administrador, custódia, gestão, auditoria e registro, que se diluem com a escala da carteira; por isso o estudo de viabilidade avalia o porte mínimo que justifica a estrutura. Segundo: o enquadramento depende do ativo e do público-alvo, e muitos desses fundos são restritos a investidores qualificados ou profissionais.

Como a Brava estrutura

A Brava estrutura FIDC, FIP e FII e, como gestora, pode desenhar outros veículos conforme a tese, no Brasil e no exterior. A estruturação vai do term sheet ao fundo em operação, em cinco fases:

1. Concepção e tese

Objetivo, público-alvo, tipo de veículo (FIDC, FIP, onshore ou offshore) e classes de cotas.

2. Modelagem econômica

Estrutura de subordinação, política de investimento ou de crédito e comparação com as alternativas atuais.

3. Governança e regulamento

Regulamento, comitê de investimentos, conselho de supervisão e acordo de cotistas.

4. Constituição e registro

Coordenação de administrador, custodiante e auditor; constituição e registro do fundo na CVM, conforme a categoria.

5. Distribuição e monitoramento

Distribuição de cotas ao público-alvo, enquadramento, reporte periódico e monitoramento da carteira e dos gatilhos do regulamento.

Como a casa também faz gestão e administração fiduciária de FIP, boa parte da estrutura fica sob o mesmo teto, o que encurta o caminho entre desenhar o fundo e colocá-lo de pé. A Brava é gestora autorizada pela CVM e autorregulada pela ANBIMA, declara conformidade com o CFA Institute Asset Manager Code e com o GIPS (declarações não verificadas por terceiro) e conta com uma equipe de mais de duas décadas de mercado, inclusive no exterior.

Perguntas frequentes

Quanto tempo leva?

Estruturas mais simples, como um FIDC, costumam levar de 60 a 90 dias do diagnóstico à constituição; operações mais complexas levam mais. São prazos indicativos, baseados na experiência da casa e em médias de mercado: expectativas, não compromissos.

FIDC ou FIP?

O FIDC tem lastro em recebíveis e serve a funding e capital de giro recorrente; o FIP tem lastro em participações societárias e serve a M&A, governança e sucessão. São veículos diferentes para objetivos diferentes.

O que eu recebo ao final?

Estudo de viabilidade e modelagem econômica, desenho de cotas e subordinação, regulamento e governança, prestadores coordenados, fundo constituído e registrado, estrutura de distribuição e monitoramento contínuo.

Conheça o produto

Estruturação de fundosDo term sheet ao fundo em operação: FIDC, FIP, FII e veículos onshore e offshore.

Jair Lemes, CFA
Diretor de Gestão e CEO da Brava Capital, apresentador do quadro Capital Inteligente e Professor de Finanças na CFA Society Brasil. Jair é administrador com MBA pela FIA/USP e Mestrado Profissionalizante em Gestão e Economia pela (ESA) IAE Université Pierre Mendès da França. Iniciou sua carreira em seguros na empresa espanhola Mapfre. Trabalhou em países como Japão e Reino Unido no setor de telecomunicações e tecnologia. Trabalhou no Citibank nas áreas Operacional e de Produtos enquanto ao mesmo tempo lecionava em universidade.

Material educacional — não constitui oferta, distribuição ou recomendação de investimento, nem aconselhamento jurídico ou tributário. A Brava Capital é gestora de recursos autorizada pela CVM e autorregulada pela ANBIMA. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. GIPS®: a Brava Capital declara conformidade formal (claim of compliance) com o GIPS® 2020 — Global Investment Performance Standards do CFA Institute, registrada na lista oficial do CFA Institute; a declaração não foi verificada por firma independente externa. CFA Asset Manager Code™: a Brava Capital alega conformidade com o CFA Institute Asset Manager Code™ desde 2018, registrada na lista oficial do CFA Institute; a alegação não foi verificada pelo CFA Institute, que não recomenda nem garante o desempenho da Brava. Prazos citados são indicativos. Fontes: Resolução CVM nº 175 (cvm.gov.br); Lei nº 14.754/2023 (planalto.gov.br); Resolução CMN nº 5.111/2023 (Conselho Monetário Nacional, bcb.gov.br).

Baixe o app da Brava Capital Baixar na App Store Disponível no Google Play
A Semana, pela Brava
O resumo macro da semana e o artigo da casa, em 2 minutos de leitura. Sem spam.
Ao assinar, você concorda em receber nossos e-mails. Cancele quando quiser.
A Brava Capital nunca solicita senhas, códigos de verificação ou transferências por telefone, WhatsApp ou e-mail. Em caso de contato suspeito em nosso nome, fale conosco pelos canais oficiais. · Informações regulatórias