Guia Brava · Fundos

Offshore e notas estruturadas: como funcionam e quando fazem sentido

Levar parte do patrimônio para fora do Brasil pode ser feito peça por peça, com fundo, holding e trust, ou de forma mais compacta, com uma nota estruturada. Entenda para que servem essas estruturas, onde costumam ficar, como se combinam e o que exigem de quem as mantém.

Em vídeo · 3 min

Offshore — estruturas internacionais e notas estruturadas

Para que serve uma estrutura offshore

“Offshore” é o nome genérico para um veículo de investimento constituído fora do país de residência do investidor. Não é um produto em si, mas uma forma de organizar o patrimônio. Uma estrutura internacional bem desenhada serve a três objetivos:

Dolarizar e diversificarsair da dependência de um só país e de uma só moeda
Organizar a sucessãotornar mais simples a transmissão do patrimônio aos herdeiros
Consolidarreunir numa só estrutura investimentos e até imóveis no exterior

O primeiro objetivo é o mais comum. Quem tem todo o patrimônio no Brasil concentra o risco numa única moeda, numa única taxa de juros e num único risco-país. Uma parcela em moeda forte reduz essa concentração. Os outros dois objetivos aparecem quando o patrimônio já é relevante e a família quer evitar que cada ativo no exterior tenha um titular, uma conta e um processo de inventário diferentes.

Onde essas estruturas costumam ficar

Cada jurisdição tem uma vocação. As mais usadas por investidores brasileiros são:

A escolha não é por preferência: depende do objetivo, dos ativos que serão mantidos, do custo de manutenção e de como cada peça será tratada pela legislação brasileira.

Como as peças se combinam em camadas

Uma estrutura sob medida costuma ser montada em camadas, cada uma com uma função:

  1. Fundo ou veículo de investimento: é onde ficam os ativos e onde a política de investimento é executada.
  2. Holding: fica por cima, como titular das participações, e centraliza o controle.
  3. Trust: quando o foco é sucessão, organiza a titularidade e as regras de transmissão do patrimônio.

Nem toda família precisa das três camadas. Uma estrutura com mais peças dá mais controle e mais flexibilidade sucessória, mas também tem mais custo, mais contabilidade e mais obrigações de declaração. O desenho certo é o menor que cumpre o objetivo.

O que é uma nota estruturada

A nota estruturada é a alternativa a montar tudo peça por peça. Ela coloca uma estrutura inteira dentro de um único título, listado, com gestão ativa por dentro. Em vez de constituir veículo, holding e contas, o investidor compra o título e acessa uma estratégia pronta.

Por que a entrada costuma ser mais baixa

A nota agrega vários investidores numa mesma estratégia. Os custos de estrutura são diluídos entre eles, o que permite um valor de entrada menor do que o de um veículo exclusivo.

O que ela não resolve

A nota é tão boa quanto a estratégia por trás dela. O título apenas embala a gestão; o resultado depende das decisões de investimento, dos custos e da solidez de quem emite e de quem gere. E, por ser um título, ela não substitui uma holding ou um trust quando o objetivo principal é a sucessão.

Para quem faz sentido, e quando não faz

Estruturas internacionais fazem sentido para quem tem patrimônio relevante, horizonte longo e pelo menos um dos três objetivos claros: diversificar em moeda forte, organizar a sucessão ou consolidar ativos já mantidos fora do país. A nota estruturada tende a servir a quem quer acesso a uma estratégia internacional sem montar e manter uma estrutura própria.

Não fazem sentido quando o custo de constituir e manter a estrutura pesa demais sobre o valor investido, quando não há disciplina para manter contabilidade e declarações em dia ou quando o objetivo é apenas ter alguma exposição ao dólar. Para a pessoa física que quer investir em dólar sem estrutura complexa, a Brava tem o programa offshore dentro da carteira administrada.

Riscos, custos e obrigações

Nada disso é mágica. Estrutura offshore tem custo, exige manutenção e declaração correta. Investimentos no exterior envolvem riscos, inclusive cambiais: a variação do dólar pode aumentar ou reduzir o valor em reais.

A exigência de declaração correta ficou maior depois que a lei brasileira mudou. A Lei nº 14.754/2023 passou a tratar da tributação da renda de pessoas físicas residentes no Brasil em aplicações financeiras, entidades controladas e trusts no exterior. Em linhas gerais, os rendimentos no exterior pagam 15% na declaração anual, e o lucro de empresa controlada lá fora pode ser tributado todo ano, mesmo sem distribuição, em determinadas hipóteses. O enquadramento de cada estrutura deve ser analisado com o seu contador, conforme a legislação vigente.

O segredo não é só ter a estrutura. É ter uma política de investimento coerente dentro dela e mantê-la em ordem ao longo do tempo.

Como a Brava faz

A Brava é gestora regulada no Brasil, autorizada pela CVM e autorregulada pela ANBIMA, e estrutura e gere fundos no Brasil e no exterior. No offshore, desenha a política de investimento e conduz a estruturação do seu veículo internacional, da nota estruturada ao fundo offshore.

1. Objetivo

Entender o que a estrutura precisa resolver: diversificação, sucessão, consolidação ou uma combinação delas.

2. Desenho

Escolha da jurisdição, das camadas e do veículo, ou da nota estruturada, com a política de investimento definida antes da estrutura.

3. Gestão e acompanhamento

Gestão da estratégia e acompanhamento contínuo, com você falando direto com quem decide.

Conheça o produto

Offshore e notas estruturadasEstruturas internacionais e notas estruturadas desenhadas e geridas pela Brava.

Jair Lemes, CFA
Diretor de Gestão e CEO da Brava Capital, apresentador do quadro Capital Inteligente e Professor de Finanças na CFA Society Brasil. Jair é administrador com MBA pela FIA/USP e Mestrado Profissionalizante em Gestão e Economia pela (ESA) IAE Université Pierre Mendès da França. Iniciou sua carreira em seguros na empresa espanhola Mapfre. Trabalhou em países como Japão e Reino Unido no setor de telecomunicações e tecnologia. Trabalhou no Citibank nas áreas Operacional e de Produtos enquanto ao mesmo tempo lecionava em universidade.

Material educacional — não constitui oferta, distribuição ou recomendação de investimento, nem aconselhamento jurídico ou tributário. A Brava Capital é gestora de recursos autorizada pela CVM e autorregulada pela ANBIMA. Investimentos no exterior envolvem riscos, inclusive cambiais. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. O planejamento tributário e sucessório de cada caso deve ser feito com seu assessor e seu contador. Tributação conforme a legislação vigente. Fontes: Lei nº 14.754/2023 (texto compilado, planalto.gov.br).

Baixe o app da Brava Capital Baixar na App Store Disponível no Google Play
A Semana, pela Brava
O resumo macro da semana e o artigo da casa, em 2 minutos de leitura. Sem spam.
Ao assinar, você concorda em receber nossos e-mails. Cancele quando quiser.
A Brava Capital nunca solicita senhas, códigos de verificação ou transferências por telefone, WhatsApp ou e-mail. Em caso de contato suspeito em nosso nome, fale conosco pelos canais oficiais. · Informações regulatórias